quarta-feira, 26 de maio de 2021

Mudanças e Envelhecer

 


Não sou de mudanças, tenho bem estabelecido as minhas metas, sei onde quero chegar, só não sei o caminho, e ninguém sabe, muitas vezes nem quem já chegou lá sabe, porque o caminho é individual baseado em diversos fatores. Tudo me parece aleatório, algumas pessoas tentam e não conseguem chegar, outras não tentam e chegam, outras tentam e chegam, outras não tentam e não chegam.

Todas as alternativas são possíveis dependendo dos fatores onde nos encontramos. Alguns problemas sociais podem interferir no resultado, mas existem exceções dentro disso, e como saber se você pode tentar ser a exceção?

Já vivi muito e tenho orgulho de ainda ser sensível, isso não significa estúpido e nem burro, mas com tendência maior a empatia, também não quero ostentar a bandeira da empatia suprema, tenho certa antipatia por algumas criaturas.

Entre as criaturas, obviamente, não sinto empatia por pessoas que colocam os outros em risco (risco escancarado), viver em sociedade é sempre um risco e lançar de dados. Você avista um genocida que faz apologia a torturadores e começa a relativizar, dizendo que atrocidades são possíveis e cabíveis como soluções nacionais, mas este genocida também diz que minorias, e você faz parte delas, precisa apanhar para aprender, que outras não merecem ser estupradas, que indígenas estão evoluindo para ser gente como nós, e várias outras atrocidades que vão além da mera corrupção habitual, e digo isso porque neste caso eles também são corruptos, só trazem um bônus ao conjunto, e aparentemente parece que atrai mais o eleitorado pelo bônus que carrega, não consigo imaginar sequer que o “cansaço à corrupção” seja atrativo já que corruptos também são.

Como afirmado, tenho orgulho de ser sensível na medida certa ou tendenciosamente direcionado aos direitos humanos, e escuto que “defendo bandido”, quando não percebem o contexto maior sobre reforma penitenciária ou particularidades dos acontecimentos, sim, o mundo e a vida são complexos, nem tudo são números, nem tudo é uma lei publicada sei lá onde, o mundo é específico, repleto de pessoas que são aleatórias dentro de um caldeirão de outros acontecimentos aleatórios.

Podemos recolher regras aqui e ali para nos sentirmos mais confiantes, mas isso tapará o sol com a peneira, e quando o caos surgir vão se sentir perdidos.

Sou sensível na medida certa e muitas vezes sensível desmedidamente, isso me faz errado? Questão filosófica para opiniões.

Percebo apenas que preciso ficar esperto, não quanto a maldade do mundo, sou pessimista o bastante e se ajo como otimista ou esperançoso é somente para desafiar meu próprio eu e a lógica das coisas, mas preciso ficar esperto quanto a maldade de gente boa (como diz Chico César), dos amigos que pelas costas nos chamam de paranoicos, desmedidos, impulsivos, passionais, de errados por ser, ignoram que trazemos uma carga de vida, saberes e coisas que merecem consideração, apenas riem e preferem rotular de diversos adjetivos que julgam dignos de personalidade fraca.

Sou autoconsciente, sei minhas lamentações, não tenho todas as respostas, estou em busca delas, e incansavelmente me preocupo com questões divertidas ao meu cérebro, porque no final vamos todos morrer e a vida é só um tempo curto para preencher com qualquer coisa antes que o acidente, a fatalidade ou a vida vá embora.

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