Li em algum lugar que a maturidade é um
mito, deve ter sido em algum blog, não lembro, mas concordo com o ditado.
Ninguém amadurece de verdade, acho até que aquele que conseguir ficará
realmente sem graça, não será digno de nota alguma. Crescer é pretensão,
achar-se crescido é arrogância. Quando somos crianças existem
responsabilidades, quando adultos também, o tipo de responsabilidade não pode
ser visto como amadurecimento, apenas obrigação.
Até hoje não sei como lidar com as
pessoas; quando criança era um martírio, sempre deslocado, quieto, sem
compreender nada e ninguém, em meu mundo, com minhas revistas, meus filmes,
músicas e gosto por minhas próprias histórias, criei muitas e aquilo me
divertia, mas eu brincava sim, existiram momentos bacanas, eu só não era de
brincar em grupos. Esperei pela promessa de amadurecimento, na faculdade, no
trabalho e na “vida adulta”, sei hoje que isso é utopia, ninguém amadurece de
verdade e geralmente os que taxam outros de imaturos são imaturos e hipócritas,
porque em algum setor de suas vidas pretensiosas são ridiculamente imaturos e
teimosos. Achei que “adultescer” resolvesse tudo, não resolve, apenas
alcançamos outro nível no Jogo da Vida, como dizem os adolescentes
facebookeanos: “A vida está tão difícil que chegamos no chefão”. Tudo isso traz
algo bom, os velhos problemas parecem nos entediar, não sofremos mais pelo
acontecimento, mas pelo conjunto da obra, pelo sofrer de novo e de novo, e de
novo sofreremos, somos tolos, caímos nas velhas ciladas enquanto galgamos
infelicidades maiores, mais complexas, desafiadoras e divertidas quando vistas
no futuro.